Para traçar uma comparação entre o termo liberdade e liberalismo será necessário definir o que significa estas palavras e suas aplicações.
O liberalismo econômico como imaginado por Adam Smith, no século XVIII, lança o conceito da “mão invisível” que ensina que o mercado se auto-regula para harmonizar os interesses individuais e o bem-estar coletivo.
Ele também define a propriedade privada como bem inalienável do indivíduo. Para Smith, assim como para Locke, a propriedade privada é um direito natural, anterior ao Estado e, por conseguinte, irrevogável.
Neste sentido, respeitar a propriedade privada é condição para uma sociedade saudável, devendo o Estado funcionar como um garantidor disso.
Liberalismo vs Marxismo
Dentre tantas correntes econômicas e políticas que existiram, o marxismo, encapado por Karl Marx e Friedrich Engels, foi seu principal concorrente.
Toda a base do pensamento marxista consiste no fim da propriedade privada e da coletivização dos meios de produção. Para eles, a razão de toda desigualdade e conflitos sociais era, justamente, a propriedade privada.
O plano consistia em expropriar os burgueses, donos dos meios de produção, bem como os camponeses, donos de terras, em favor de um governo proletário.
Este, passaria a existir a partir de uma revolução proletária, que entregaria o poder nas mãos de uma elite política.
O que é a liberdade?
Quanto à verdadeira liberdade, este debate não é tão simples. Esta busca fundamenta as reflexões dos maiores pensadores que já passaram pela face da Terra.
Para respondermos a esta pergunta, nos ateremos a ideia trazida na pergunta proposta: Estão no mesmo pé de liberdade aqueles que partem de pontos diferentes?
Ao meu ver, a pergunta pretende denunciar que a escola de pensamento econômico conhecida por liberalismo não poderia entregar o prometido.
Se liberalismo é a defesa do direito que todos têm de possuir, não deveria, juntamente com isso, garantir que todos tenham o que possuir?
Nesta linha, caberia primeiro uma distribuição igualitária, de maneira que todos tenham, para aí então, garantir a propriedade adquirida?
O destino errado
Neste sentido, Karl Marx partiria do ponto certo, porém na direção errada. Para ele, tudo deve ser de todos e administrado pelo Estado. Depois de distribuída e coletivizada a propriedade privada, o Estado inexistiria e todos os seres humanos viveriam harmoniosamente.
Considerar liberdade como igualdade, ao meu ver, é um erro em termos. Acredito que a verdadeira liberdade é fazer o que tem que ser feito – na mesma direção kantiana do imperativo categórico -, e não seguir um conceito de liberdade que alguém pretende estabelecer.
Gosto do conceito cristão sobre o tema:
“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” João 8.32
Neste sentido, atingir o conhecimento da Verdade absoluta, qual seja a vontade do Deus Criador para suas criaturas, nos livrará da maioria das cadeias que nos aprisionam e as revelarão muito mais imaginárias do que qualquer outra coisa.
Como na história do elefante preso por um corda amarrada em um cabo de vassoura, assim somos aprisionados por preocupações que não tem nenhum potencial de nos melhorar ou piorar.
Não importa se com ou sem propriedade, a liberdade te fará não precisar disso para se sentir livre.
Liberdade e cristianismo
Ter ou não ter pode ser importante para capitalistas ou comunistas, mas nunca para genuínos cristãos.
”Mas é grande ganho a piedade com contentamento. Porque nada trouxemos para este mundo e manifesto é que nada podemos levar dele. Tendo, porém, sustento e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes.” 1 Timóteo 6:6-8
Esse texto, quando aplicado à cosmovisão cristã, não pretende tornar o leitor em um franciscano que vê na propriedade e na riqueza um ex adverso, mas uma variável incapaz de afetar a identidade ou o estado de espírito.
Neste plano, concordo com o dilema proposto pelo liberalismo que garante a liberdade de forma desigual, ainda que no capitalismo, diferente da maioria dos outros modelos econômicos postos em prática, exista uma possibilidade real de obtenção de riqueza e, por conseguinte, propriedade.
O comunismo, herdeiro do marxismo, nunca conseguiu coletivizar toda a riqueza como prometido, criou oligarquias políticas e financeiras ao bel-prazer dos seus governantes – que, diga-se de passagem, nunca foi o proletariado -, a ponto de nunca terem transitado para a ausência de Estado, exatamente porque esta burocracia sustentava e privilegiava os burocratas no poder.
Neste sentido, a liberdade está muito mais com os liberais, uma vez que comunistas pregam intervenção estatal no mercado para criar demanda, controlar oferta e para criar preços artificialmente.
Além disso, toda tentativa de libertar os proletários da prisão do liberalismo capitalista os enfiou em regimes comunistas autoritários espalha dores de miséria, repressão e morte.
Acredito ainda, que a garantia de direitos fundamentais e liberdades sociais são melhores indicadores de satisfação e percepção de liberdades do que melhor condição financeira.
A pirâmide de Maslow
Não quero desdizer o que Maslow apresentou em sua pirâmide está errado, pelo contrário.
Liberdade – no sentido de direitos fundamentais -, não são mais importantes aos homens do que suas necessidades fisiológicas. A maioria das pessoas trocaria sua liberdade por um prato de comida para sobreviver, porém isso não faria se fosse somente para adquirir uma roupa nova que a moda lançou.
Existem pessoas que trocam suas liberdades por bens ou vingança, mas é sabido que todo criminoso quando arvora-se contra a propriedade ou a vida de outrem, o faz com a convicção que não será preso pelos órgãos de segurança pública.
Assim sendo, roubam porque imaginam que não serão presos ou que, se presos e condenados, os benefícios advindos do crime são mais valioso do que a perda da liberdade.
Sob o aspecto cristão, a liberdade é um bem muito mais valioso do que qualquer bem ou benefício que se possa pensar.
O apóstolo Paulo não temia prisões ou celas. Preferia se submeter a elas ao obedecer a Deus porque sabia que o cativeiro do seu corpo não poderia aprisionar sua mensagem, muito menos o impedir de alcançar a salvação prometida por Jesus.
“Por isso sofro trabalhos e até prisões, como um malfeitor; mas a palavra de Deus não está presa. Portanto, tudo sofro por amor dos escolhidos, para que também eles alcancem a salvação que está em Cristo Jesus com glória eterna. Palavra fiel é esta: que, se morrermos com ele, também com ele viveremos; se sofrermos, também com ele reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará; se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo.” 2 Timóteo 2.9-13
Esta liberdade, pregada por Paulo, é , de todas, a mais poderosa: É a liberdade de mente, de alma e de espírito. Esta é a liberdade que assola tiranos e autoritários. Que transforma um homem mortal e limitado em um ser humano imbatível.