Não gosto quando agentes públicos concentram poder demais.
A experiência histórica é clara: isso raramente termina bem.
O Estado nasce de um pacto.
Cidadãos abrem mão de exercer a força por conta própria e transferem esse poder a uma estrutura comum.
Entregamos nossa segurança, nossa justiça e parte de nossa renda para que o Estado organize a vida coletiva e nos devolva ordem, direitos e liberdade.
Mas há uma consequência inevitável:
o Estado se torna maior, mais forte e, em certas circunstâncias, mais perigoso que o próprio cidadão.
O Estado, porém, não é uma pessoa.
É uma ficção jurídica que só existe porque indivíduos reais o representam.
O atendente de um hospital público, o policial na rua, o juiz no tribunal — todos materializam o Estado em ação. Eles operam com um poder que não é deles, mas que lhes foi delegado pela sociedade.
Estado Perigoso
É por isso que, quando alguém investido dessa autoridade ultrapassa limites e utiliza a máquina pública contra o cidadão, ocorre o que chamamos de abuso de poder.
E este é sempre o primeiro sinal de alerta em qualquer democracia.
No Brasil, já convivemos com exemplos de autoridades que acumulam funções, investigam, julgam e punem, dispondo de forças estatais que o cidadão comum jamais terá. Quando o Estado se volta contra o indivíduo de forma ilegítima, os mecanismos de defesa se tornam escassos. Essa assimetria é, por definição, perigosa.
Mas este artigo não trata do Brasil, tão pouco do seu atual “jurisditador” Alexandre de Moraes
O homem mais poderoso do mundo
Eu estou preocupado com o atual presidente americano:
Donald J. Trump
Nos últimos meses, uma sequência de movimentos chama atenção:
Discurso de enfrentamento direto ao narcotráfico na Venezuela, cerco no Mar do Caribe seguido de captura do Nicolás Maduro em ação militar cinematográfica no último dia 03/01.
Fato relevante foi esta operação ter sido feita sem autorização do Congresso Americano.
Retomada da retórica de cerco a Cuba somado às inevitáveis restrições comerciais oriundas do controle pelos EUA das empresas de petróleo. Cuba não sobreviverá sem dinheiro venezuelano.
Propostas de ação militar contra cartéis no México.
Declarações sobre controle estratégico da Groenlândia e anexação do seu território
Pressão inédita sobre a indústria bélica americana. Controle de salário de executivos, proibição de distribuição de dividendos para desenvolvimentos de novas tecnologias e otimização operacional.
O Orçamento de defesa saltou de 900 bilhões para 1,5 trilhões de dólares por conta de preocupações com conflitos militares.
O nome do Departamento de Defesa deve ser mudado, a pedido de Trump, para Departamento de Guerra.
O caso da Groenlândia
A Groenlândia ilustra bem o cenário de muita tensão geopolítica internacional.
Trata-se de território dinamarquês, integrante da OTAN, posição estratégica no Ártico e reserva relevante de terras raras.
Uma invasão direta é improvável. Mas Trump domina a velha técnica do “bode na sala”: cria uma crise maior para extrair concessões que, em condições normais, seriam recusadas.
A questão da reeleição
Há um detalhe institucional importante: Trump já cumpriu dois mandatos. Caso deseje permanecer no poder, precisará de uma ruptura — legislativa, judicial ou excepcional. Na história, guerras sempre foram o terreno onde exceções políticas se normalizam.
Se houver qualquer ação militar contra território de um país da OTAN, o mundo entra em uma zona inédita de instabilidade.
Some-se a isso o interesse já manifestado por Trump em ampliar a presença militar americana em pontos estratégicos do Atlântico Sul. Nada disso ocorre por acaso.
O ponto central
O globalismo permitiu que regimes comunistas autoritários crescessem silenciosamente nas últimas décadas.
Aplaudimos ações que ele realiza contra ditaduras e regimes autoritários, como neste momento observamos na Síria dos Aiatolás.
Já passou da hora de uma ação efetiva sobre países islâmicos que matam cristãos por causa da sua fé.
Liberdade e vigilância
É possível que Trump esteja reagindo a ameaças reais que o público ainda não percebe.
Não duvido da sagacidade, coragem e habilidade para lidar com estas questões difíceis. O que não acredito é na idoneidade incondicional de uma pessoa, principalmente de um agente político detentor de tanto poder.
Quando um líder concentra poder, expande o aparato militar e constrói uma narrativa permanente de emergência mundial, todo cidadão DEVE aguçar sua atenção e vigiar.
Quando vemos tanques cruzando fronteiras, significa que alguns princípios importantes já foram quebras, por um dos lados ou pelos dois.
“A guerra é a política por outros meios” Claus von Clausewitz
Tudo começa quando o poder deixa de ter freios.
A história mostra que nossas liberdades não acabam de maneira abrupta, mas lentamente.
“O preço da liberdade é a eterna vigilância” Thomas Jefferson